Preço da comida nas alturas: saiba como evitar desperdícios e reduzir os custos com alimentação

Com os preços dos alimentos subindo sem parar, abastecer a despensa pesa cada vez mais no bolso dos brasileiros. Em fevereiro, o custo médio de alimentação e bebidas subiu 0,70%, com destaque para ovos (15,39%) e café (10,77%), segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Com o poder de compra das pessoas em queda, o que tem gerado até memes na internet (veja abaixo), o EXTRA ouviu especialistas para trazer dicas que ajudam a evitar desperdícios e economizar.

Um das formas é a utilização de partes das comidas que seriam jogadas fora, segundo Fernanda Chaves, nutricionista da Firjan SESI:

— Muitas partes de alimentos que costumamos descartar são extremamente nutritivas e podem ser aproveitadas. A casca da abóbora, por exemplo, pode ser cozida com o legume ou ralada e misturada ao arroz.

O SESI também oferece receitas e dicas de aproveitamento integral de alimentos no site Alimente-se Bem. Além disso, a organização oferece oficinas culinárias sobre aproveitamento integral dos alimentos nas empresas e nas comunidades por meio do Cozinha Brasil em suas cozinhas experimentais itinerantes. Com mais de 230 mil atendimentos realizados, o programa já passou por 85 municípios do Rio de Janeiro.

Ainda segundo Fernanda, pode-se substituir alimentos mais caros por opções mais acessíveis. No caso da carne bovina, um corte nobre pode ser trocado por um mais barato. Mas é preciso saber preparar:

— Basta deixar marinando por cinco a dez minutos, pois a bromelina, enzima presente na fruta, ajuda a quebrar as fibras, deixando a carne mais macia.

Descontos em alimentos perto do vencimento

Algumas soluções atuam contra o desperdício. Uma delas é a Food to Save, empresa que conecta consumidores com estabelecimentos do setor alimentício, que oferecem itens próximos da data de validade ou têm alguma imperfeição. Esses alimentos são agrupados nas “sacolas-surpresa” e vendidos com até 70% de desconto. Assim, o consumidor compra produtos que seriam descartados por um preço menor, mas os itens somente são revelados quando chegam para o cliente.

— O sigilo é para o estabelecimento continuar oferecendo produtos no aplicativo pela possibilidade de o cliente deixar de comprar na loja pelo preço normal — diz Murilo Ambrogio, cofundador da Food To Save.

A Food To Save aponta que, no Estado do Rio, as sacolas de hortifruti têm sido as mais buscadas. A nutricionista Fernanda destaca a importância dos cuidados no armazenamento de legumes, verduras e frutas:

— Abacate, banana, batata e melão liberam etileno, um gás que acelera a deterioração de outros alimentos próximos. O consumidor precisa separá-los dos itens sensíveis, como brócolis, cenoura, abóbora, abobrinha, pepino e folhas verdes.

Inflação nas redes

Internautas têm repercutido a alta dos preços com memes na internet. Confira alguns:

Ação ensina moradores a usar cascas de legumes

No Estado do Rio, 62% do lixo doméstico produzido pelas famílias é composto por alimentos desperdiçados, segundo um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU). Na contramão disso, a iniciativa Favela Orgânica ensina moradores de comunidades da Babilônia e Chapéu Mangueira, na Zona Sul do Rio, a aproveitarem ao máximo os alimentos na hora de cozinhar.

— O miolo do chuchu, por exemplo, pode ser usado para fazer um estrogonofe, enquanto a casca pode ser transformada em um hambúrguer ou um vinagrete, substituindo ingredientes mais caros como o pimentão — diz Regina Tchelly.

As inscrições para o curso, que acontece ao longo de dez meses, são divulgadas no Instagram do projeto (@favela_organica) e também nas próprias comunidades. Neste ano, o início das inscrições está previsto para abril.

Ação do governo

Desde a última sexta-feira, o governo zerou os impostos de importação de uma série de alimentos, como parte de um pacote de medida para conter a alta dos preços. Na lista dos itens que podem ficar mais baratos estão óleo de girassol, azeite de oliva, sardinha, biscoitos, café, carnes e massas.

Para o economista André Braz, coordenador de Índices de Preços da FGV, essas medidas não vão ajudar por muito tempo na redução dos preços:

— Isso não resolve o problema de médio e longo prazo porque fenômenos climáticos, que afetam muito as safras dos produtos, estão ficando cada vez mais frequentes.

Um estudo do economista mostra que as famílias que ganham de 1 a 1,5 salário mínimo (de R$ 1.518 a R$ 2.277) gastam 21,8% da renda com alimentação. Em 2020, o índice era 19,3%. Com aumento do percentual da renda dedicada a alimentação, houve redução os valores gastos com habitação (-1%) e artigos de residência (-0,9%) nos últimos cinco anos.

Como economizar

Atenção ao Armazenamento

Organize a geladeira e a despensa da casa seguindo a metodologia do Primeiro que Vence, Primeiro que Sai (PVPS). Ponha os itens com validade mais curta para serem consumidos primeiro. Alimentos prontos duram de três a quatro dias na geladeira. Se a quantidade preparada for grande, congele parte para evitar perdas.

Alimentos com pequenas imperfeições

Alguns mercados e aplicativos de alimentos oferecem vegetais e frutas com desconto, como o Food To Save. Geralmente, esses itens têm pequenas imperfeições ou estão próximos da data de vencimento. Embora tenham baixo valor comercial, estão próprios para o consumo.

Alimentos da temporada

Adaptar a dieta à sazonalidade dos produtos reduz custos. Por exemplo, o repolho agora está custando cerca de R$ 3 o quilo e pode ser um excelente substituto para outras hortaliças mais caras.

Promoções

Os supermercados têm dias específicos de promoções, como o “Dia da carne” e o “Dia do hortifruti”, e é interessante que a família divida tarefas para aproveitar as oportunidades. Use aplicativos de mercados para cupons de desconto e chegue na feira no fim do dia para encontrar preços menores.

Compras planejadas

Pesquisar preços antes de ir às compras ajuda bastante. Outra dica é nunca fazer compras com fome e sempre levar uma lista para evitar gastos por impulso.

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